
POLO DE
ALVORADA
PORTFÓLIO DE APRENDIZAGENS
ELISE FERNANDA DA SILVA MELLO
INTERDISCIPLINAS DO EIXO VI
Seminário Integrador VI
Beatriz Corso Magdalena
Iris Elisabeth Tempel Costa
Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II
Luciane Corte Real
Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais
Mauren Lúcia Tezzari
Filosofia da Educação
Elaine Conte
Questões Étnico-Raciais na Educação: Sociologia e História
Marilene Paré
PORTO ALEGRE
Julho/2009
Reflexão-Síntese sobre as Aprendizagens do Semestre 2009/1
Prezados alunos
Neste semestre, a reflexão-síntese sobre as aprendizagens desenvolvidas nas Interdisciplinas terá o cotidiano na escola como o nosso foco de análise.
O CENÁRIO
Nosso cenário de estudo é o filme “Entre os muros da escola” (produção francesa, dirigida por Laurent Cantet e vencedor Palma de Ouro, Cannes, 2008), a ser visto por todos nós. O filme apresenta situações vividas durante um ano letivo, em uma sala de aula de uma escola pública francesa. Apesar do filme tratar de outro contexto cultural e de uma faixa etária, provavelmente, diferente daquela com a qual trabalhamos, as cenas retratadas são comuns em qualquer espaço educativo. Portanto, independente do contexto e da faixa etária, o importante é compreender os casos que se apresentam e que envolvem as aprendizagens, as relações entre alunos e alunos, entre alunos e professores, a mediação, a escola como instituição educadora e tantos outros aspectos que vocês descobrirão ao longo do filme.
OS ELEMENTOS DE APOIO À ANÁLISE
- Reflexões postadas no Blog Portfólio de Aprendizagens;
- A produção acadêmica do semestre;
- Conceitos comuns às Interdisciplinas do Eixo VI, listados no quadro abaixo e trabalhados ao longo do semestre em diferentes perspectivas:
QUADRO DE CONCEITOS
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INCLUSÃO
IDENTIDADES DIVERSIDADE
DISCRIMINAÇÃO NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
ESTIGMA
AUTORIA
PRECONCEITO
ETNIA
COOPERAÇÃO
PRINCÍPIOS MORAIS
APRENDIZAGENS
CONVIVÊNCIA
AUTONOMIA
DESENVOLVIMENTO CONFLITOS
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A PROPOSTA DE TRABALHO
A síntese das aprendizagens do semestre 2009/1, a ser registrada em um documento impresso e posteriormente apresentada oralmente no Workshop de Avaliação, será composta de duas partes a seguir descritas.
PARTE A
1. Selecione e descreva uma cena do filme que contemple o maior número de conceitos do quadro;
2. Identifique os conceitos na cena e justifique sua escolha;
3.Considerando as aprendizagens construídas nas Interdisciplinas, as reflexões postadas no Blog Portfólio de Aprendizagens, as vivências escolares e os conceitos identificados, produza uma análise crítica da cena, apresentando argumentos acompanhados de evidências recortadas da mesma.
PARTE B
Escolha dentre as postagens do Blog de Portfólio de Aprendizagens, realizadas até dia 15 de junho de 2009, aquela que você considera um testemunho do seu nível de excelência no Eixo VI. Justifique sua escolha. Não se esqueça de colocar o link para a postagem.
Bom trabalho a todos!
PARTE A
Dentre as diversas sensações, as quais o filme incita a mais marcante para mim foi justamente essa carga de realidade.
Enfim, o filme me fez pensar nessas questões e na dose de anestesia, cada vez em medidas maiores, que a construção das barreiras étnicas, religiosas, sociais, culturais, entre outras, são responsáveis por ministrar. “Entre les murs”, assim como a realidade, é um filme duro, “indigesto”, perturbador, mas da mesma forma, muito emocionante, fazendo o espectador sentir-se vivo.
O seu valor se encontra no renascimento, autocrítica, em um momento em que presenciamos uma falência da mesma. Os alunos, os professores, a escola são personagens da realidade, o filme, como relata Laurent Cantet, foi escrito e filmado no “durante”, buscando sua naturalização, pois a realidade se apresenta nos momentos de confrontação e de troca, é na assimetria das situações limites que encontramos sua possível construção…
Selecionei a seguinte cena do Filme “Entre os Muros da Escola”, de Laurent Cantet, François Bégaudeau e Robin Campillo, baseado no livro de François Bégaudeau:
Como a aluna Angélica na cena do auto-retrato observa: “de fato as nossas vidas não interessam a vocês, nós não temos grande coisa a dizer”. François é obrigado a concordar, pois reconhece muito pouco a clarividência dos alunos; porém, essa própria confrontação já evidencia que os alunos não são e não querem ser apenas consumidores da escola, mas vão muito, além disso, fazem parte e são atores do próprio processo pedagógico.
Acho que o filme demonstra muito bem as dificuldades desse deslocamento “sistemático” que inevitavelmente gera desequilíbrio, mas da mesma forma é uma dialética transformadora. Fazendo um paralelo com as artes plásticas, a “colagem” tem esse papel, ou seja, seria como analisar os efeitos que possuem a possibilidade de reunir duas realidades distantes em um plano não-convencional… algo que antes se apresentava apenas como imagens banais, indiferentes, que não se comunicavam e por isso pseudo-realidades, quando justapostas, constroem no confronto uma realidade efetivamente, uma nova possibilidade estranha, mas potencialmente viva.
Neste filme, atravessamos os muros da escola para falar da sociedade nos dias de hoje, das relações humanas, da noção de autoridade, não só através da figura do professor, e de como as pessoas se colocam diante dessa autoridade. O filme também aborda o fato de pertencer a uma comunidade. O que isso significa? Como crescemos? Como transitamos entre tantas culturas diferentes? São questões que não fazem parte apenas do universo escolar, apenas um microcosmo num contexto maior.
Neste trecho do filme identifiquei os seguintes conceitos: identidade, conflito,discriminação,etnias,autonomia,diversidade e inclusão.
Com o trabalho do auto-retrato, o professor preocupou-se em trabalhar as diversas etnias da turma, as diversidades de raças e valorizou suas identidades, principalmente no caso da aluna Angélica que desafia o professor e sente-se inferior dizendo que “de fato as nossas vidas não interessam a vocês, nós não temos grande coisa a dizer”, demonstrando a falta de auto-estima.
O trabalho sobre a produção do auto-retrato demonstrou a importância da autoria e do aluno construir suas aprendizagens através da sua história.
O conflito é resultante da diversidade étnico-racial existente naquela sala de aula.
Essa diversidade que precisa ser trabalhada, desde os primeiros anos das crianças na escola e em especial na Educação Infantil, segundo Paré:
A criança, em sala de aula, não é uma ‘tabula rasa’, pois traz uma carga cultural étnica transmitida pela família. O aluno negro possui uma estrutura lógica, que é mitológica, isto é, decorrente da mitologia afro-brasileira; ele possui uma cultura de origem africana, que, no encontro com a cultura escolar de cunho europeu, muitas vezes é reprimida [...] A criança negra brasileira, devido ao condicionamento sociocultural de um ideal de beleza e padrões culturais europeus introjetados pela colonização portuguesa, desenvolve a auto-imagem e autoconceitos destorcidos e de baixa autoestima. Consequentemente ela será um adulto com problemas de identidade e de autovalorização. (PARÉ, pág. 29 e 110 – 2000)
Percebemos a discriminação na fala dos alunos que se sentem inferiorizados e podemos destacar o nível do preconceito frente às diversas etnias.
O filme nos estimula, assim como François a seus alunos, a fazer um auto-retrato: da nossa sociedade e do nosso papel nela, das infinitas teias de relações, algumas construtivas, outras destrutivas e outras indiferentes. Uma indiferença que pode se tornar forte e inquietante quando é percebida
Frente ao papel que a escola deveria exercer cito Gadotti que nos traz a seguinte reflexão:
A diversidade cultural é a riqueza da humanidade. Para cumprir sua tarefa humanista, a escola precisa mostrar aos alunos que existem outras culturas além da sua. A autonomia da escola não significa isolamento, fechamento numa cultura particular. Escola autônoma significa escola curiosa, ousada, buscando dialogar com todas as culturas e concepções de mundo. Pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais. Pluralismo significa sobre tudo diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se abre às demais. (GADOTTI, pág. 119 – 2001)
Nesta escola não há um trabalho de inclusão desses alunos, eles se preocupam com o rigor da disciplina, mas acabam esquecendo-se dos princípios morais, para que fossem minimizados os conflitos de convivência ali existentes o que poderia levar a uma educação inclusiva.
A cena que destaquei, explica a aprendizagem que construí no semestre partindo do princípio de que todos devem ter acesso á educação de qualidade.
Os professores têm o dever de assegurar aos alunos uma educação inclusiva, pautada na ética e principalmente voltada ao respeito às diferenças, seja qual for.
Cito a Ana Carolina Christofari, que em seus estudos nos direciona frente a este olhar que devemos assumir.
A democratização da escola não significa apenas livre acesso de todos à escola, significa um avanço social em termos de valorização dos sujeitos, de ampliação do acesso aos conhecimentos históricos, científicos e sociais. A universalização da escola é possibilidade de diálogo entre diferentes visões de mundo, de trocas interpessoais enriquecidas pela diversidade humana e possibilita que a escola possa vir a se transformar num caleidoscópio humano, onde a diversidade de cores, de maneiras de ser e de se relacionar sejam elementos fundamentais na constituição de um belo desenho que, quanto mais diversidade, mais belo fica. Desenho esse que se modifica a cada olhar e que, na falta de uma peça, vai perdendo o brilho, a graça. A ‘escola caleidoscópio’ permite movimento, lugares mutáveis, imprevisíveis, possibilita o sujeito ser diferentes outros, se constituir de várias maneiras sem deixar de ter seus saberes legitimados, podendo mostrar diariamente, diferentes faces. (CHRISTOFARI, pag. 14 – 2008)
PARTE B
Neste semestre trabalhamos com experiências educacionais, que nos proporcionaram novas construções e compreensões acerca da elaboração de propostas educacionais inclusivas.
Estudar as leis que regulamentam a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais, que são muitas vezes desconhecidas pelos professores da rede estadual de ensino e conseqüentemente não são cumpridas faz com que nós como alunas e professoras possamos assumir outra postura, fiscalizando e cobrando para que sejam cumpridas.
Os textos trabalhados pelas interdisciplinas foram norteadores para a construção da minha aprendizagem no semestre.
A postagem que selecionei no meu Blog de Portfólio de Aprendizagens, para expressar aquela que eu considero um testemunho do meu nível de excelência no Eixo VI, refere-se à postagem chamada Aprendizagem. Esta postagem foi feita depois de realizada, a atividade da Interdisciplina de Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II, na qual me proporcionou fazer uma reflexão da minha trajetória neste curso evidenciando os conceitos de aprendizagem, bem como, o que foi construído, com um olhar crítico e uma nova visão de sala de aula.
http://elisemello.blogspot.com/search/label/Desenvolvimento%20aprendizagem
Outra postagem, que evidencia a minha aprendizagem deste semestre no curso é o Projeto de Aprendizagem – P.A. , pois aprendi muito com a colaboração, o compartilhar que é feito num projeto de aprendizagem, que é realizado totalmente à distância e temos que interagir com o grupo, pesquisar e discutir o trabalho a ser realizado. E a análise crítica dos projetos, que foi umas das primeiras atividades do semestre da Interdisciplina Seminário Integrador VI, baseada num roteiro que nos foi apresentado serviu para analisarmos não só os trabalhos dos outros grupos como também, analisarmos o nosso trabalho com o mesmo olhar crítico.
Senti-me muito motivada com este P.A. e percebo que estou mais atuante e comprometida, com o trabalho que realmente nos envolve.
http://elisemello.blogspot.com/search/label/An%C3%A1lise%20de%20P.A
Referências Bibliográficas
CHRISTOFARI, Ana Carolina, Avaliação e Inclusão Escolar, Conflitos e Possibilidades – Projeto de Mestrado – UFRGS – Avaliação e Inclusão Escolar: Trajetórias nos Ciclos de Formação – Professor Orientador: Claudio Roberto Baptista, 2008.
GADOTTI, Moacir e ROMÃO, José E. (orgs.) Autonomia da Escola: Princípios e Propostas – 4. Ed. – São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2001- (Guia da Escola Cidadã; v.1)
PARÉ, Marilene Leal – Auto-Imagem e Autoestima na Criança Negra: Um Olhar sobre o seu Desempenho Escolar – Dissertação de Mestrado em Educação apresentada para a PUC/RS, 2000.
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